História > Pai Tabajara


 
UMBANDISTAS  e  “umbandistas”
 
 Ao primeiro dia do mês de julho de 1944, em São Paulo, Capital, no Hospital e Maternidade São Paulo, nascia Tabajara Ferro Abranches, filho de Messias Abranches e Yolanda A. Ferro Abranches, terceiro filho do casal.
 
 
 Nasceu com alguns problemas não comuns à época, sofrendo de parada convulsiva, e ficava paralisado com os olhos bem abertos e totalmente consciente, vendo tudo que passa a sua volta inclusive outros que vinham em seu socorro.
 
Só conseguia voltar ao normal após um choque térmico, sendo colocado em uma bacia com água bastante quente em seguida colocado em água fria, forma que conheciam para que pudesse voltar ao normal, e assim aconteceu por vários anos.
 
O mesmo tinha confiança em seu pai que parecia ter conhecimento e segurança da situação, a presença dele era importante para minimizar tudo.
 
Contou com isso até cinco anos e meio, quando perdeu seu pai, que faleceu.
 
A partir desse momento os problemas foram se agravando com sonhos e pesadelos diários apesar de não ter mais as “convulsões”, passou a sentir um constante desconforto no canal do nariz, dificultando a respiração e piorando sua visão, vendo coisas que só para ele existiam.
 
Sua mãe não conseguia acompanhar os problemas, as dificuldades eram sérias demais para ela, que não conseguia aceitar essa situação, procurou levá-lo em todos os lugares que indicavam, sem nenhum resultado positivo, passou a acreditar que a solução poderia ser tratamento em hospital psiquiátrico.
 
Os anos passando e cada vez mais essa situação foi agravando.

Aos doze anos tomou a iniciativa de tentar achar solução para seu problema, saindo em busca de informações em todos os lugares que acreditava ser possível obter respostas, igrejas, vários credos e religiões, muitas instituições, seitas e vários estudos teológicos e filosóficos, conseguindo apenas aumentar seu conhecimento.

Aos dezesseis anos conheceu um casal que praticava o espiritismo.

Ponto riscado Tabataô
 
 
Esse casal acabou vendo uns desenhos que ele tinha feito, gerando uma desconfiança sobre o fato de não conhecer exatamente o significado dos mesmos, pois se tratava de um ponto riscado de firmeza da Umbanda.
Juravam ser impossível ser feito por um leigo no assunto.
Com a certeza de que a história estava mal contada, fizeram uma proposta, um convite para ir a um pequeno terreiro de Umbanda no qual acreditavam, levaram-no à Rua São Jorge, no Tatuapé, onde o pai de santo chamava-se Sr. José Cotrin, (Pai Zezinho) e se as coisas que sentia já eram complicadas, lá o início foi muito pior, não perdia a consciência, mas virava em torno de si próprio com grande velocidade, sem nenhum controle que o fizesse parar e cantava como se participasse de algo que já conhecia bem.
 
Assim foi doutrinado pelos Guias Espirituais esclarecendo que realmente era uma pessoa diferente com missão pré-determinada, mesmo que resistisse a aceitar ou não essa situação.

Visão do Caboclo Tabajara
 
  
Um dia Pai Zezinho o chamou dizendo:
“Preste bem atenção, vou lhe dar uma explicação definitiva, que fica a seu critério querer entender ou não, aceitar ou não:
Você quando chegou aqui era como uma lata velha e amassada e enferrujada, que estava muito mais para ser jogada fora.
Por determinação das Entidades que te acompanham, tivemos que desamassar polir, e trazer para seu estado original.
De hoje em diante, utilize essa reconstrução, e aproveite essa oportunidade, e faça jus ao esforço de todos que lutam por você.
Siga “seu caminho já traçado”.
A partir daí começou a trabalhar sua mediunidade e responsabilidade junto as Entidades que o ajudaram e protegiam desde o passado.
 
Aos 18 anos de idade em uma viagem de retorno à Campinas começou a sentir-se muito mal, o desconforto aumentando, sentindo que algo estava preso no fundo do canal do nariz e
descia raspando, indo para sua garganta quase perdendo a respiração.
 Após tossir muito e tentando tirar com a mão percebeu que algo estava saindo muito esquisito, duro e sujo de sangue escuro, e logo sentiu um grande alivio, quando expeliu um objeto parecendo um palito de metal sem pontas muito leve quase sem peso.
Mais tarde ficou sabendo tratar-se de um chip colocado em pessoas abduzidas.
Por intermédio de outra pessoa recebeu novo convite para conhecer outro terreiro, que ficava na Rua Tamandaré nº 686 no bairro da Liberdade que pertencia a um grande e conhecido médium em São Paulo, Pai Arquimedes
Ficou muito ressabiado, mas acabou aceitando.

Símbolo da Seára
 

No dia da visita ao entrar pela porta deparou com um enorme terreiro, um tablado com aproximadamente 50 médiuns todos perfilados e organizados, a assistência lotada com mais de 200 pessoas sentadas e muitas outras em pé. 

Ficou muito assustado, nunca tinha visto nada igual, mas achou muito lindo o que estava vendo, não tendo onde ficar encostou-se à parede do fundo próximo a porta, pois a gira já estava sendo aberta e o terreiro defumado.
Ao terminar as preparações surgiu um grito bem alto “ei você aí no fundo, venha aqui para dentro já” como ele tinha acabado de chegar e não conhecia ninguém, não imaginava jamais que seria com ele, no entanto a pessoa continuava a chamar...., e após muita insistência de todos a sua volta, tirou os sapatos e foi para o tablado fazendo sua obrigação de médium visitante.

Ligação das Sete Linhas
 
 

Ao cumprimentar ao Babalaô Pai Arquimedes disse:
“eu estou esperando o Senhor aqui há muito tempo, o seu Caboclo prometeu que traria seu cavalo para nos ajudar a trabalhar as Sete Linhas, e a partir de hoje o Senhor já faz parte deste Terreiro, não podendo mais deixá-lo”.
 
A partir dessa data passou a fazer parte da “Seara Espírita Fé, Esperança e Caridade” trabalhando por um bom período.
Todos os filhos, Diretores e amigos também uniram  forças para que um sonho do Pai Arquimedes se torna-se realidade.
Uma construção de sua sede própria.
Foi comprado um terreno na antiga Rua A, que depois passou a chamar Rua Manuel Augusto Alvarenga, nº 173 - Cidade Ademar, um bairro na periferia de São Paulo.

Templo da Seára
 
 
Com muito esforço e sacrifício de todos
o local era longe, a rua era subida e de terra, sem luz, entre muitos terrenos com mato bastante alto.
E assim foi colocada a pedra fundamental do novo Galpão.
Feito pelos responsáveis e filhos da Seara o ritual de assentamento e firmeza sendo dada o inicio da construção.
O galpão  começou a ser erguido conforme planejado.
Sendo responsável pela construção o Engenheiro Dr. Carlos Piva também Diretor amigo e Ir:. do Pai Arquimedes.
Durou um tempo maior do previsto pelas dificuldades do terreno ser em aclive, e o pessoal (filhos) que só poderiam ajudar aos fins de semana.
O novo galpão ficou faltando todo o acabamento, em razão das dificuldades financeiras da época.
Mesmo assim foi inaugurado, não havia condições financeiras de tocar a obra e ainda pagar aluguel.
Os trabalhos e filhos só mudaram de endereço.
Continuaram tudo como era feito pelo Pai Arquimedes, na (Rua Tamandaré).

Símbolo D’Ogum Megê
 

Em homenagem a D’Ogum Megê Chefe e Patrono da Seara Espírita Fé Esperança e Caridade no dia 23 de abril foi feito uma grande festa de agradecimento com muitos filhos sendo batizados.

Batismo
 
 
E nesse dia também se deu o batismo do Tabajara tendo como seu padrinho o Diretor e amigo Senhor Antonio Bispo dos Santos.
Tudo estava correndo muito bem quando ocorreu o falecimento do Pai Arquimedes.
Quem assumiu a Seára prometendo fidelidade e continuidade  aos trabalhos as Entidades  foi a Babá Dona Ligia que tinha sido sua filha trabalhavam juntos e era sua esposa.
Com o passar do tempo por influencia, e outros interesses começou a mudar a diretriz da casa implantada pelo Pai Arquimedes.
Mesmo aborrecido e chateado Tabajara ficou por mais algum tempo, deixando aquela Seara em razão de estar casado e com filhos e ainda ter arrumado emprego para trabalhar diariamente até as 22hs, não conseguindo conciliar com os horários de trabalhos da Seára.

Gongá do Pai Tabajara D’Ogum
 
 
Em razão da procura e da insistência de pessoas amigas que solicitavam atendimento com suas Entidades, começou a trabalhar somente aos sábados das 13hs às 22hs em locais pré-determinados, incluindo pequenos terreiros montados pelos amigos, ficando assim por longo tempo.
 
Nesse período teve vários sonhos e visões com o Babalaô

Pai Arquimedes
 
 
 Mostrando preocupação com o futuro de sua Seára, sempre dizendo que para fundar foi firmado um acordo entre Entidades e Grande Instituição Universal, não podendo jamais ser alterado o objetivo e conduta, com as linhas de trabalho, caso isso acontecesse a Seára perderia a força espiritual e mediúnica, atuando como um grande teatro de enganos, trazendo conseqüências ruins e podendo até fechar suas portas.
E que a responsabilidade e obrigação era de todos os seus filhos para manter o acordo.
Após passar alguns anos, Tabajara recebeu duas aparições espirituais inesperadas o Exú Sete Encruzilhadas e Exú Tranca Ruas das Almas que vieram alertar.
É preciso socorrer a Seára a qualquer custo, lembre-se o que ela representa para todos nós.
A obrigação continua conforme todos que assumiram no passado, hoje a Seara encontra-se prestes a fechar e os filhos do terreiro não podem se omitir e deixar que isto aconteça.
Essa responsabilidade recairá sobre você e o Paulinho.
Ficou atônito com mais essa situação, pois este encontro foi de uma clareza absurda como nunca ocorrera antes.
Passaram mais alguns dias quando recebeu um telefonema do Senhor Darceth D Urso, diretor da Seara, expondo que “os trabalhos estavam suspensos.
Os médiuns que lá estavam não tinham condições para tocar, o prédio necessitava urgente de reforma, não havendo condições para funcionar, e a pessoa que era responsável não tinha tempo para a Seára.
Estava a procura dele por ser um antigo membro fundador da Seára que ele conhecia, e que seu desejo era fazer todo o possível para reverter àquela situação, faria tudo para que isso pudesse acontecer, pois tinha um grande amor e gratidão pela Seára, e para ver a possibilidade de ajudar.
O Senhor Darceth marcou uma reunião com os poucos membros que lá estavam.
Para o Tabajara foi uma tristeza enorme, não imaginaria ver nunca a Seára tão abandonada, ficou constatado que no local, chovia muito internamente, o esgoto estava entupido e corria ao céu aberto, banheiro sujo, o prédio estava em péssimo estado, e não havia mais trabalhos.
Lembrando do passado, no Pai Arquimedes, do esforço de todos para erguer aquele espaço, (sede própria) e aqueles que colaboraram e trabalharam para a realização, das aparições e pedido dos Exús Sete Encruzilhadas, e Tranca Ruas das Almas, não pestanejou, assumiu a responsabilidade de fazer a Seara voltar a ser o Templo idealizado, com o objetivo de atender a todos que necessitassem dentro do acordo selado.
Durou bom tempo a reforma do prédio, que necessitava ser geral, alvenaria, telhado, elétrica, encanamentos, forro, alicerce, calçamento interno e externo, rebocar a parte externa, pintura em geral, modificações na parte de baixo com construções de novos banheiros, secretaria e nova casa dos Exús além de uma pequena lanchonete.
Em paralelo foi sendo montando o quadro de médiuns dentro do rito e doutrina da Seára, com desenvolvimento para novos médiuns, conforme pedido das Entidades e Pai Arquimedes.

Gongá da Seara
 
 
Entrada do templo da Seara
 
 
Mesmo contra a vontade de poucos foi instituído para todos os anos no dias 27/setembro festa de Cosme e Damião, que repercutia enormemente entre os verdadeiros Umbandistas, chegando a entregar nas festas alem de lanches e guaraná mais de 1500 sacolas para as crianças pobres levarem para suas casas, que iam buscar na própria Seara.
 
Tablado + Assistência
 
 
 A um bom tempo de reforma de trabalho árduo envolvendo muitos trabalhadores, da construção civil, marceneiro, eletricista, encanador, especialistas em forro, pintores, quem fiscalizava e fazia as compras de materiais, alem de confeccionadores de cortinas e ajuda de filhos do terreiro em restauração e arrumação e todos com muita dedicação.
Mas para que tudo isso fosse possível, teve que assumir uma responsabilidade de colocar as mãos em trabalhos que estavam anos sendo acumulados sem que ninguém cuidasse e sem que nada tivesse sido descarregado esse período.
Lá tinha de tudo, como roupas velhas, guias, dentes, pontos firmados de trabalhos feitos, moedas, baralhos, capas, punhais enferrujados, parte de velas já queimadas, apetrechos, atabaques velhos, moveis antigos, flores de plástico, além da poeira formada, pois o local “Seara” foi utilizado todo aquele período como se fosse depósito de coisas velhas e descartáveis.
Mesmo sabendo que recairia uma enorme e violenta carga sobre sua pessoa, cumpriu sua promessa e deixou a Seara inteiramente reformada e acabada, nova conforme desejo do Pai Arquimedes, Entidades e os filhos da época.
Homenagem recebida dos filhos
 
 
  
Essa luta trouxe o já esperado, ficou muito doente e praticamente desenganado pelos médicos.
Para poder reverter esse quadro e situação espiritual era necessário reforçar ainda mais a espiritualidade da Seara.
Pelas condições encontradas e pelo tempo que ficou exposto, e ainda com médiuns em formação não havia tempo suficiente para afastar toda egregora negativa que lá permaneceu acumulada, para solucionar tudo, era necessário mais algum tempo.
Era o que ele não tinha mais, em razão do agravamento de sua saúde já muito debilitada e não conseguindo mais falar direito.
Sabendo dos seus problemas, propôs as pessoas que com ele trabalhavam na Seara que precisaria trazer mais quatro médiuns de outro Terreiro para aumentar as forças e formando maior união superar e passar aquela situação.
Para sua surpresa escutou o que jamais imaginaria ouvir, o Senhor Domingos De Lucca junto com o Senhor Roberto Garcia uniram se contra, alegando que deveria acreditar mais nas entidades e nos médiuns que lá estavam não vendo necessidade de aumentar o quadro.
Não se sabe se essa reação foi por medo ou ciúmes, ou talvez acreditando que alguém pudesse tirar seus lugares.
Sendo rejeitada a proposta, e para que não rompesse a União, preferiu afastar-se para poder resolver seus problemas, contraídos na própria Seara, local este destinado a cuidar dos necessitados.
Sem essa alternativa decidiu buscar solução fora de sua própria casa.
Procurou o Pai Paulo Rosa D’Oxossi, seu amigo (Paulinho) de muitos anos que também era filho do Pai Arquimedes e da Seara, e que há muito tempo já tinha fundado sua casa (Tenda Espírita de Umbanda Caboclo Estrela do Mar) na Rua Oliveira Melo, nº 95 – Ipiranga, onde atende até hoje.
Ao chegar lá foi muito bem acolhido, pelo Pai e amigo, mesmo na situação extremamente grave, tanto na matéria quanto espiritual.
Pai Paulo Rosa D’Oxossi se prontificou em ajudá-lo, sabia que ele era a ultima pessoa ligada a Seara e ao Pai Arquimedes.
Juntaram forças e todas as Entidades que tinham o mesmo objetivo, de cura material e espiritual do Tabajara.
Pai Paulo Rosa D’Oxossi abriu todos os trabalhos necessários, banhos, entregas, além das firmezas, orações e apoio espiritual de seus filhos do TEUCEM.
Alcançando a União desejada e precisa.
Conseguindo com dedicação e muito esforço reverter aquele quadro que parecia ser impossível.
Mesmo em estado de convalescência Tabajara voltou a trabalhar na Seára.
  
 Coroação
 
 

Para selar sua obediência quanto às determinações das Entidades, em 08/12/2004 dia de Oxum, foi realizada a cerimônia na “Seara Espírita, Fé, Esperança e Caridade” com a autoridade espiritual do sacerdote Pai Paulo Rosa D’Oxossi, oficializada a última coroação e a passagem da responsabilidade espiritual daquele templo para o Pai Tabajara D’ Ogum.
 
Certificado do Proclame 
 
 


Ainda debilitado percebia pela reação de alguns médiuns que tinham assumido os trabalhos da Seara em sua ausência, que sua presença os incomodava já, e não era mais bem vinda a sua própria casa que ajudo a fundar.
Acreditando que gostariam de continuar a frente dos trabalhos do terreiro e ficar mais a vontade para fazer mudanças como já fora antigamente, pois o Ego das pessoas fala muito mais forte.
Não precisavam mais dele, não havia mais nada a ser feito, o prédio já estava reformado e pronto, a casa já tinha muitos médiuns e estava sempre lotada.
Acreditando ter cumprido mais essa missão.
Retirou-se definitivamente.
 
Pai Tabajara D’Ogum

 
 
Para que não ficasse sem atender aqueles amigos que continuavam a procurar pelos seus auxílios espirituais, decidiu voltar os atendimentos individuais em locais pré-determinados.
Em conversa com seu amigo e Ir:. Pai Paulo Rosa D’Oxossi, confessou que acreditava ter já cumprido sua missão espiritual e que gostaria ter uma resposta das Entidades, e se poderia parar de trabalhar.
Obteve a seguinte resposta, poder já pode, mas não deve, ainda tem muita gente precisando de você.
Oferecendo o espaço de sua casa (TUCEM) um dia da semana para que pudesse dar continuidade no atendimento de seus filhos.
Passou um filme em sua cabeça sobre o que é ser Umbandista e diante de tão nobre oferta não poderia jamais recusar.
E hoje atende à Rua Oliveira Melo, nº 95 – Ipiranga nas 2 e 4 quarta feiras do mês às 17 hs. no espaço do
 
(TEMPLO DE UMBANDA CABOCLO ESTRELA DO MAR)
-T.E.U.C.EM.-
 Dando seqüência em seu Caminho de
pré determinado.